Nas cidades, a produtividade depende da facilidade (ou não) que temos de nos mobilizar, além da eficiência do uso de recursos como a energia. Os transportes são essenciais à atividade humana, não há dúvidas acerca disto, sendo responsáveis pela mobilidade de pessoas e bens. Apesar da inovação tecnológica neste campo, os transportes de pessoas e mercadorias continuam a exercer grandes pressões que se traduzem em impacto negativo sobre o ambiente urbano. Não só pelas emissões de poluentes, como o dióxido de azoto e as partículas inaláveis, que contaminam o ar, como de gases com efeito de estufa, indissociáveis das alterações climáticas. Sem esquecermos que estão na origem do ruído que afeta particularmente os meios urbanos.
No entanto, vivemos uma dicotomia, precisamos deles, mas eles são o maior consumidor de energia de origem petrolífera, contribuindo de modo incontornável para a dependência energética do País. Temos obrigatoriamente que diminuir o impacto negativo deste sector sobre o meio urbano, promovendo uma transição do transporte individual de passageiros para o transporte coletivo, assim como do transporte rodoviário de mercadorias para o respetivo transporte ferroviário. Estes objetivos, quase insanos, são vitais e fundamentais para as políticas de transporte.
Na vanguarda da mudança deste paradigma, está Lisboa, com a Emov, um serviço de carsharing 100% elétrico. É composto por uma frota inicial de 150 veículos, que podem ser alugados por 0,21 cêntimos por minuto. Um passo na direção da mobilidade sustentável, com a disponibilidade, ainda, de bolsas de estacionamento dedicado a carros elétricos partilhados. Lisboa é, assim, a segunda cidade europeia a acolher este sistema de carsharing assente na modalidade de free floating. Madrid foi a primeira a integrar este sistema de circulação, onde está a ser um sucesso e que conta com mais de 170.000 utilizadores. Num estudo, verificou-se que 75% dos habitantes de Lisboa consideram a hipótese de utilizar serviços de carsharing. As principais razões para fazê-lo são a redução de custos (21%), dispor de uma alternativa à viatura própria (19%) e a facilidade e rapidez de utilização (13%). As situações em que mais utilizariam o serviço seriam viagens de e para o aeroporto (32%), viagens/férias (22%), saídas noturnas (19%) e em alternativa à própria viatura (16%)
O planeta tem muito a ganhar com este novo paradigma dos transportes. Não acha?
Lembrem-se, no mundo, o setor de transportes consome mais da metade da produção total de combustível líquido, consumo que tem implicações importantes na contaminação do ar, portanto, se não for possível mudar ou evitar algumas viagens, pode-se tentar ser mais eficiente, como o são os automóveis mais modernos no uso de combustível, reduzindo emissões e permitindo menor gasto.